Monday, September 13, 2010

Somos dois abismos - um poço fitando o céu...


Para ti, meu amor, é cada sonho

de todas as palavras que escrever,

cada imagem de luz e de futuro,

cada dia dos dias que viver.


Os abismos das coisas, quem os nega,

se em nós abertos inda em nós persistem?

Quantas vezes os versos que te dou

na água dos teus olhos é que existem!


Quantas vezes chorando te alcancei

e em lágrimas de sombra nos perdemos!

As mesmas que contigo regressei

ao ritmo da vida que escolhemos!


Mais humana da terra dos caminhos

e mais certa, dos erros cometidos,

foste de novo, e sempre, a mão da esperança

nos meus versos errantes e perdidos.


Transpondo os versos vieste à minha vida

e um rio abriu-se onde era areia e dor.

Porque chegaste à hora prometida

aqui te deixo tudo, meu amor!


Carlos de Oliveira, in “Poesias”

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