Tuesday, October 5, 2010

Null


Sou Feiticeira, sou Rainha,
Sou Irmã, sou Mãe,
Sou Natureza, sou Podridão...

Sou Aborto,
Sou Despojo,
Sou Sangue, Vísceras,
Sou um grito desesperante,
Sou agonia sufocante.

Escondo.

Wednesday, September 22, 2010

Didn't it hurt like hell for years?

Há dias em que tudo me dói,
O simples respirar, a custo,
me tira anos de vida.

Dias em que a Alma
me pensa tanto, tornando-me suspeita,
extrema, passante.

Noites em que o consciente me engana,
e acordo,
errante...

Horas em que tudo me aflige...

Monday, September 13, 2010

Somos dois abismos - um poço fitando o céu...


Para ti, meu amor, é cada sonho

de todas as palavras que escrever,

cada imagem de luz e de futuro,

cada dia dos dias que viver.


Os abismos das coisas, quem os nega,

se em nós abertos inda em nós persistem?

Quantas vezes os versos que te dou

na água dos teus olhos é que existem!


Quantas vezes chorando te alcancei

e em lágrimas de sombra nos perdemos!

As mesmas que contigo regressei

ao ritmo da vida que escolhemos!


Mais humana da terra dos caminhos

e mais certa, dos erros cometidos,

foste de novo, e sempre, a mão da esperança

nos meus versos errantes e perdidos.


Transpondo os versos vieste à minha vida

e um rio abriu-se onde era areia e dor.

Porque chegaste à hora prometida

aqui te deixo tudo, meu amor!


Carlos de Oliveira, in “Poesias”

Saturday, July 31, 2010

30102008


É o existir prolongado,
O existir sem saber
Sem qualidade, sem ar.
O saber de si sem se encontrar
É uma dor,
Um arrasto, uma fuga.
É um persistir
Sem vontade alguma.
É isto, aquilo, e coisa nenhuma.

Glodíolo .. One Hundred Years From Now... 02032008


Diz-me um pouco de verdade quando me falas
Dá-me um pouco de Escuridao quando os meus lábios sentires..
Dá-me um pouco de medo,
Dá-me um sentido.

Wednesday, July 21, 2010

Vida que foi a minha Vida


Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

Miguel Torga, in 'Diário IV'


Ma, LYTTE.